A Morte da Narrativa: Bolsonaro é inocente! O Arquivamento que a História (e a CPI da Pandemia) Tentou Esconder

Por Ricardo Soares | Análise Política & Jurídica

Durante meses, o Brasil foi refém de uma única palavra, repetida à exaustão em horário nobre, impressa em letras garrafais e gritada nos corredores do Congresso Nacional: Genocida.

Hoje, essa palavra não ecoa mais nos tribunais. Ela morreu no papel frio e técnico de uma decisão do Ministério Público Federal (MPF).

A recente notícia da CNN Brasil, informando o arquivamento do pedido de investigação contra o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro por sua conduta na pandemia, não é apenas uma nota de rodapé jurídica. É o atestado de óbito de uma das maiores campanhas de assassinato de reputação da história política brasileira.

O Fato Jurídico vs. A Ficção Política

O MPF foi claro: não há justa causa. Não há materialidade. O que houve, segundo a decisão técnica, foi uma gestão de crise em um cenário de incerteza global, onde decisões difíceis foram tomadas.

Mas o que a CPI da Pandemia vendeu ao Brasil foi um roteiro de cinema, onde havia um vilão deliberado que, supostamente, recusava vacinas por prazer sádico. A realidade, agora chancelada pelo MPF, mostra outro cenário: o Brasil vacinou. O Brasil comprou. O Brasil agiu.

A acusação de “atraso proposital” na compra de vacinas sempre esbarrou na lógica elementar de mercado e regulação sanitária da época. Transformar cautela administrativa e soberania nacional em “genocídio” foi um salto lógico que serviu a palanques, mas não se sustentou nos autos.

A Banalização do Mal

A crítica jornalística aqui se faz necessária e urgente: ao banalizar o termo “genocídio” para atacar um adversário político, a oposição e parte da imprensa cometeram um erro histórico.

Genocídio é o extermínio deliberado de um povo. Aplicar isso a um gestor que, goste-se ou não, manteve a economia girando e distribuiu o Auxílio Emergencial que salvou milhões da fome, não foi apenas um exagero retórico. Foi uma desonestidade intelectual.

O arquivamento do MPF expõe a fragilidade das “provas” apresentadas com tanta pompa pelos senadores da CPI. Onde estão os crimes de prevaricação? Onde está o dolo de morte? O MPF procurou. E, tecnicamente, não encontrou.

O Custo da Mentira

Quem pagará a conta da instabilidade gerada? Quem devolverá a honra atacada diariamente em manchetes que agora se provam, no mínimo, precipitadas?

A decisão do MPF não apaga a tragédia das vidas perdidas pelo vírus — uma dor real e global. Mas ela separa a tragédia biológica da farsa política.

Jair Bolsonaro foi julgado e condenado pelo tribunal da opinião pública muito antes de qualquer juiz togar a caneta. Agora, quando a caneta técnica finalmente fala, ela diz o que muitos não queriam ouvir: não houve crime.

O que houve foi política. E na política, a verdade às vezes tarda, mas o arquivo do MPF é implacável. A narrativa do “genocida” não sobreviveu ao teste da realidade jurídica. Resta saber se os acusadores terão a hombridade de noticiar sua inocência com o mesmo estardalhaço com que gritaram sua culpa.

O Xerife da Verdade e a Mentira de Estimação: A Queda Moral de Rogério Correia

Na política brasileira, a máxima de Lenin — “Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz” — nunca foi tão atual. O mais recente episódio protagonizado pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG) não é apenas um “erro” de postagem; é um raio-x da hipocrisia que contamina o debate sobre desinformação no Brasil.

Segundo matéria do Poder360, o parlamentar, conhecido por sua atuação estridente na CPMI do 8 de Janeiro e por se autoproclamar um cruzado contra as “fake news da extrema-direita”, foi obrigado a se retratar publicamente. O motivo? Divulgar uma montagem grosseira — uma fake news em sua essência mais pura — associando o ex-presidente Jair Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

A Anatomia da Manipulação

Não estamos falando de uma interpretação equivocada de dados ou de uma opinião controversa. Estamos falando de adulteração da realidade. Ao compartilhar uma foto manipulada para criar um vínculo visual que não existia naquele contexto, Rogério Correia praticou exatamente o crime que ele passou os últimos anos dizendo combater.

A ironia é palpável. Correia construiu sua reputação recente apontando o dedo para opositores, exigindo prisões, cassações e inquéritos no STF para quem ousasse compartilhar informações não verificadas. No entanto, quando a desinformação serve à sua narrativa partidária, a “ameaça à democracia” magicamente se transforma em um simples equívoco, resolvido com uma nota de rodapé e uma retratação protocolar.

O Tribunal da Internet e a Imunidade Seletiva

A pergunta que fica para o leitor — e para as instituições — é: Onde está a indignação do STF agora?

Se um deputado da oposição tivesse publicado uma montagem envolvendo o Presidente Lula ou um Ministro da Suprema Corte com um banqueiro investigado, estaríamos, neste exato momento, lendo manchetes sobre “ataques às instituições”, “discurso de ódio” e, muito provavelmente, vendo a Polícia Federal bater à porta do autor às 6 da manhã.

Mas, para Rogério Correia, a regra é outra. Para o “campo progressista”, a fake news é apenas um deslize. A retratação do deputado, embora necessária, não apaga o dolo. Ela apenas expõe que, para certos grupos políticos, a mentira é uma ferramenta válida, desde que usada contra os inimigos certos.

Conclusão

O caso Rogério Correia é pedagógico. Ele nos ensina que o combate às fake news no Brasil não é sobre a verdade; é sobre o monopólio da narrativa. Enquanto o deputado mineiro apaga seu post e segue sua vida, a credibilidade de seu discurso contra a desinformação desce pelo ralo, levando junto a farsa de que existe uma superioridade moral em seu lado do espectro político.

A mentira não tem ideologia. Mas a impunidade e a tolerância com ela, aparentemente, têm lado.

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