Eles enchem o peito, sobem nos palanques e monopolizam o discurso da defesa da democracia. Mas basta que um único voto vá contra os interesses da família presidencial para que esse discurso vire pó. E, no caso da CPMI do INSS, virou agressão.
Aprovar a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, não foi um ato de autoritarismo. Foi o exercício puro do Estado Democrático de Direito: o resultado legítimo e soberano de um colegiado parlamentar.
A medida não nasceu do nada. Ela é fruto de suspeitas graves e mensagens interceptadas que apontam para repasses de R$ 300 mil e a figura de um “sócio oculto” ligado ao esquema do “Careca do INSS”. Diante de fatos que exigem transparência e investigação, a postura natural de quem defende a democracia seria acatar a decisão da maioria e provar a inocência nos autos.
A reação que assistimos, no entanto, expôs uma fratura moral.
O que vimos foi o desrespeito frontal ao voto. A tentativa desesperada de silenciar a comissão. E o ponto mais baixo dessa escalada: a agressão protagonizada pelo deputado Rogério Correia. Quando a votação — o pilar central de qualquer sistema democrático — não favoreceu a narrativa deles, o debate de ideias foi substituído pela força.
Isso nos obriga a colocar o dedo na ferida e fazer a pergunta que eles tentam evitar: a democracia só é sagrada quando protege os aliados?
Quando o alvo da investigação é o “filho do rapaz” — aquele mesmo que viu seus negócios com a Gamecorp decolarem de forma meteórica após o pai assumir o poder —, as regras do jogo parecem mudar. A decisão democrática passa a ser tratada como ofensa. O grito e a violência tomam o lugar do argumento jurídico e parlamentar.
Como advogado e jornalista, acompanho diariamente o rito processual e o debate público. O episódio na CPMI do INSS não tem relação com a defesa de princípios ou garantias fundamentais. É apenas o desespero de quem perdeu no voto e, sem argumentos, decidiu tentar ganhar na agressão. Uma democracia de conveniência não é democracia; é um teatro.
Se você também está cansado dessa falsa narrativa e exige que a lei seja igual para todos, compartilhe esta análise. Deixe aqui nos comentários: até quando o Brasil vai tolerar quem prega a paz no microfone e pratica a agressão nos bastidores quando o voto não lhes convém?
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